A Crise Geopolítica dos Refugiados

A crise de refugiados é acima de tudo um problema político que não tem fim à vista.

A guerra civil na Síria dura há 4 anos, e quer os Governos quer as Instituições de ajuda humanitária são insuficientes na ajuda efectiva que prestam.

Preocupa aos governantes mundiais os mais de 600 mil refugiados que entraram na Europa só em 2015 e os estimados 3 milhões que vão chegar nos próximos dois anos mas o maior temor está com o número infinitamente maior de civis que continuam em terras sírias, a fugir de uma guerra com contornos desumanos.

Estas pessoas estão a fugir de uma guerra que não é a sua mas que pelos contornos que tomou parece ser, pois há milhares de mortes de inocentes tanto na própria Síria como na travessia das fronteiras e no trânsito até à Europa; pessoas a perder familiares e a verem-se sozinhas no mundo; filhos que deixam de ter os progenitores para os ver crescer e pais que choram a morte dos filhos que tanto ainda tinham para viver.

Os sírios não vivem uma vida normal neste momento, enquanto a maioria de nós se pode dar por felizardo por se sentir seguro no seu país, na sua casa e no seio daquilo que lhe é familiar junto daqueles que nos são queridos, existem famílias em fuga pelo desconhecido correndo o risco de não sair com vida desta demanda, são seres humanos em busca daquilo que lhes foi retirado, segurança.

As imagens são terríveis, algumas até traumatizantes e os instintos da maioria dos cidadãos, especialmente os europeus são admiráveis.

Aliás os cidadãos europeus mobilizam-se para ajudar quem sofre, fazem campanhas para ajudar estrangeiros e encontram forma inimagináveis de ajudar quem precisa.

Perante estas acções é impossível qualquer europeu não sentir orgulho da Europa onde vive.

No entanto, apesar de os instintos serem de louvar, por vezes a lucidez das acções não combina nem tão poucos são suficiente.

Pois não resolvem problemas a médio e longo prazo. Desta forma, este problema tem sido significativamente tratado com alguma frieza por parte dos governantes mundiais e embora a Europa se tenha disponiblizado para receber estas pessoas que fogem de conflitos armados severos no seu país, as cimeiras mundias realizadas parece só se preocupar em defender os interesses políticos e financeiros dos países internos da Europa, países com a Alemanha e a França.

Estamos perante um problema de Geopolítica. A europa quase que “empurra” os refugiados para os países periféricos da Europa, formando uma espécie de círculo de defesa em volta dos países internos.

Estamos a falar de países periféricos como o nosso, pois Portugal faz parte desta lista, sendo até considerando como a “cauda da Europa”, falamos ainda de países como a Grécia, a Croácia, a Eslovénia, a Turquia, a Sérvia e a Hungria que têm vindo a receber milhares de refugiados.

A Europa está assim a conter o fluxo de refugiados nos países periféricos, tal como se de uma hemorregia contagiosa se trata-se, como se não fossem humanos que estivessem a desesperar por abrigo.

E a forma de controlar este fluxo contínuo é o dinheiro, sendo exactamente através deste recurso que a Europa está a tentar controlar esta crise migratória, tudo para manter “seguros” os países internos.

Fonte imagem: Google

Fonte texto: Público; Observador

Raquel Murgeira

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