Catarina Martins: candidata auto-proclamada

Depois de ter estado duas semanas em reuniões, o Bloco de Esquerda parecia ter encontrado um caminho.

Confusões, eleições e lutas pela liderança à parte, as várias moções decidiram juntar-se em Comissão Permanente, formada por seis elementos centrais.

Uma solução que, nas palavras da porta-vos, Catarina Martins, “melhor garante a coesão do Bloco”.

Esta nova comissão foi integrada por Pedro Soares, Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua, Adelino Fortunato e Nuno Moniz e foi aceite pela Mesa Nacional do partido.

Imagem: SOL

Pedro Filipe Soares manteve-se como lider da bancada e Catarina Martins tornou-se a porta-voz do partido.

Já João Semedo (ex-coordenador) não integrou este grupo, mantendo-se apenas e sem grandes ou nenhumas explicações como deputado.

Talvez seja esta a principal mudança no partido.

O Bloco de Esquerda parecia ter encontrado um novo caminho, mostrando-se mais forte e coeso.

Afirmava-se até capaz de combater os grandes partidos da oposição, uma vez que as “eleições internas” não os tinham deixado divididos, mas sim unidos.

No passado dia 2 de Dezembro, Catarina Martins, representando o seu partido, deu uma entrevista à TSF.

A certo ponto da conversa, a mesma afirmou: “Na altura das eleições legislativas, naturalmente quem assume o cargo de porta-voz do BE assumirá essa função [ou seja, a própria].

Como assumirei também os debates com o primeiro-ministro. É o que é natural nos partidos políticos”.

De acordo com o que foi anunciado pela porta-voz, apesar de “ser natural”, esta correspondia a uma decisão interna da nova comissão. Na verdade não foi isso que se verificou.

De acordo com os estatutos do Bloco de Esquerda, cabe à Comissão Politica sugerir um nome que irá aparecer em primeiro lugar nas listas, para depois ser aprovado na Mesa Nacional.

Ao que parece, a anterior coordenadora, provavelmente, convicta na sua eleição, antecipou-se, autoproclamando-se candidata às eleições legislativas, antes de um veredicto interno, tal como foi anunciado pelo Semanário Sol.

Uma vez, que toda a constituição desta nova “lista”,foi decidida em reunião, ou melhor, numa sucessão de reuniões, marcadas por empates nas votações, que pareciam não ter fim… não vejo o porquê de uma decisão como estas ter sido tomada antes de um veredicto interno.

Caso esta informação se verifique, surge-me a questão: para que será que serve esta nova e “coesa” Comissão Permanente, se continua a existir uma só lider?

Fontes: SOL; Público

Pedro Emidio

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