Cobertura FESTin 6º dia

A 5ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), teve lugar no cinema São Jorge de 2 a 9 de Abril de 2014.

Esta edição do FESTin teve não uma, mas duas temáticas completamente dentistas uma da outra, sendo uma delas uma homenagem ao 25 de Abril, e a outra uma mostra com mais de 70 filmes oriundos dos CPLP, tendo assim uma vasta gama de categorias, nas quais podemos destacar as curtas e longas metragens, os documentários, e ainda as animações.

Não esquecendo, a realização de competições de curtas metragens, bem como as diversas mostras nas categorias infanto-juvenil e inclusão social passando pela mostra brasileira de curtas.

Enfim, um festival recheado de bom conteúdo cinematográfico para todos os gostos e idades.

Chegados ao cinema São Jorge, já prontos para fazer a cobertura da maratona documental que iria ter inicio na sala 3 do próprio cinema, eis que vem ter connosco a Directora Geral do festival de seu nome Léa Teixeira, com a qual pudemos trocar umas curtas e simpáticas palavras acerca de diversos temas do quotidiano.

Após esta simpática troca de palavras, é chegado o momento de ir fazer cobertura à maratona documental, tendo como principais destaques: “As vozes que ouvi” realizado por António Almeida, Edison Larronda, Tom Peres e Paulo Renato.

“Cape Verde Independence July 5th and 6th” realizado por Anthony D. Ramos, “Uma voz timorense em Brasília” realizado por Denilson Félix e ainda “Cova da Moura Portugal ou Cabo Verde” realizado por Paulo Cabral.

No local marcaram presença o realizador do filme “Uma voz timorense em Brasília” Denilson Félix bem como Paulo Cabral realizador do filme “Cova da Mora Portugal ou Cabo Verde”.

Documentário “As vozes que ouvi”

Comecemos então por falar do documentário intitulado “As vozes que ouvi” com a realização de António Almeida, Edison Larronda, Tom Peres e Paulo Renato.

Neste curto filme com cerca de 15 minutos, o principal foco de atenção é a forte influência da rádio no Brasil, onde se podem ver diferentes versões da história da radiofonia brasileira contadas por diferentes locutores da rádio brasileira tendo como protagonistas Edgar Muza, Mário Lopes, Vacionir Lopes entre outros que ainda se encontram no activo.

Documentário “Cape Verde Independence July 5th and 6th”

Após este primeiro documentário, segue-se “Cape Verde Independence July 5th and 6th”, que contou com a realização de Anthony D. Ramos, onde relata a independência de Cabo Verde datada a 5 de Julho de 1975, mostrando alguns dos festejos durante a celebração da independência cabo-verdiana.

Fazendo referência a tomada de posse do presidente Aristides Pereira, que elabora um discurso de incentivo onde apela ao povo cabo-verdiano uma melhoria na economia do pais, e que as relações entre Cabo Verde e Guiné vão ser reforçadas, não esquecendo as FARP e o PAIGC que tiveram um desempenho bastante importante durante a independência de Cabo Verde.

É de ressalvar que durante a mostra deste filme esteve presente a embaixadora de Cabo Verde Dra. Filomena Lopes.

Documentário “Uma voz timorense em Brasília”

Perseguindo nesta maratona documental, segue-se “Uma voz timorense em Brasília”, tendo como principal protagonista Domingos de Sousa, um homem que foi embaixador timorense em Brasília e ex-membro da resistência timorense, conta as suas histórias relativas ao colonialismo as falhas e os fracassos na educação e no papel desempenhado pela mulher, o departamento de famílias que tinham ligações com a resistência e ainda as relações com Cuba.

Durante este documentário, Domingos de Sousa faz referência a sua mais recente obra “Histórias da resistência Timorense” onde no final deixa uma mensagem de rápidas melhoras por parte do autor pelos traumas causados durante as guerras e invasões durante o período colonialista.

Mais tarde, durante o século XXI Timor foi o primeiro pais a entrar para a ONU.

Documentário “Cova da Mora Portugal ou Cabo Verde”

Por último, segue-se o documentário de inclusão social intitulado “Cova da Mora Portugal ou Cabo Verde” realizado por Paulo Cabral onde se pode verificar que o próprio bairro tenta fugir a má imagem que lhe foi sendo atribuído ao longo do tempo muito a custa do tráfico de drogas entre outros aspectos negativos.

Mas com a ajuda de Ilídio Sousa, presidente da (ASSACM) Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura, ao ser o grande impulsionador transformando o bairro numa pequena urbanização com cerca de 4 a 6 mil habitantes existindo assim uma diversidade cultural sendo (50%) cabo-verdianos (40%) portugueses e os restantes (10%) a serem distribuídos pelas restantes culturas representadas no bairro.

Os moradores neste documentário, referem que em tempos o bairro Cova da Moura era um local pacífico, onde as pessoas podiam estar nas ruas do bairro até as 0h ou até mesmo as 2h da madrugada deixando as portas e janelas de suas casas á confiança dos moradores.

Mas, fazendo referência a um velho dito popular português “mudam-se os tempos mudam-se as vontades”, os moradores mal o sol se põe começam a retirar-se para os seus humildes lares fechando os mesmos a sete chaves graças a má reputação e imagem que da qual tem sido alvo.

No meio desta imensidão de problemas, os moradores destacam como problemas de maior relevância a mentalidade fechada dos próprios moradores, a falta de apoio escolar, a forte manipulação de informação por parte dos media e os maus tratos por parte da polícia.

Para ajudar a resolver estes problemas, Susana Sousa assistente social tem como objectivo defender um futuro melhor para o bairro, ao mesmo tempo que tenta limpar a má imagem que a ele está agregada, tentado assim reencaminhar jovens pertencentes a 2ª ou 3ª geração de emigrantes fazendo no final deste documentário um convite á população para fazerem uma visita ao bairro Cova da Moura.

Opinião do Autor

Em suma, o festival foi bastante bom repleto de conteúdos desde mostras de curtas, longas metragens, documentários passando pelas próprias competições de curtas realizadas não esquecendo a mostra de curtas no sector infanto-juvenil.

É pena para um festival com esta dimensão e com esta divergência de conteúdos não tenha abrangido mais público, mas para despertar a atenção desse mesmo público deixo um video promocional do festival caso queiram comparecer numa futura edição.

Agradecimento

Fazendo uma pequena ressalva a organização do festival (Catarina Coelho) por ter disponibilizado o espaço do festival para a realização da cobertura do evento em âmbito escolar (ULHT).

Francisco Freitas, fotografia – Gonçalo Bento

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