Dallas, condenado à nascença

Hoje, o edifício está dividido em mais de 500 frações e outros tantos proprietários que continuam a pagar condomínio por estabelecimentos que não usam há 14 anos.

O centro comercial Dallas será demolido. O plano de pormenor, elaborado pela Câmara do Porto para legalizar o complexo, defende que o shopping na Boavista é viável, mas terá de ser mais pequeno.

O complexo do Dallas, edificado ilegalmente nos anos 80, integra cinco edifícios com uma “taxa de ocupação reduzida”.

O shopping está vazio, assim como o único prédio de habitação por falta de licença de habitabilidade.

Centro comercial Dallas tem os dias contados

Há famílias que compraram casas e continuam sem poder ocupá-las. Os restantes três imóveis são de escritórios.

O Centro Comercial Dallas, inaugurado a 08 de Dezembro de 1984, está encerrado desde Julho de 1999 por ordem da Câmara do Porto, na sequência de sucessivas inspecções do Batalhão de Sapadores Bombeiros (BSB) que apontavam para a crescente falta de condições de segurança.

Este centro comercial, um dos primeiros a surgir na cidade, esteve rodeado de polémica desde o início, tendo funcionado durante 15 anos sem licença de habitabilidade.

Os problemas começaram ainda durante a construção, cujos trabalhos chegaram a ser embargados pela autarquia, apesar de o embargo nunca ter sido cumprido.

O interior labiríntico e os problemas de segurança, com assaltos, confrontos físicos e tiroteios frequentes, nunca permitiram o total sucesso deste centro comercial, apesar da sua boa localização.

Ontem, completaram-se 20 anos sobre a abertura de portas do centro comercial, que nasceu torto, sem licença comercial.

Isso não foi óbice para que o Dallas se tornasse, entre 1984 e os finais dos anos 90, em local de negócios e de lazer.

Até se tornar um local perigoso. Pela insegurança detectada pelo Batalhão de Sapadores de Bombeiros do Porto, que ditaram o seu encerramento, mas, também, pelo ambiente de marginalidade que tomou conta dos seus corredores.

No lado negro da história do Dallas fala-se em tráfico de droga, homicídios, violações, roubos, agressões. Coisas pouco tentadoras para que as lojas continuassem abertas.

Foi, porém, a falta de condições de segurança e de licença que ditou o seu encerramento, vai para seis anos.

A ordem partiu do gabinete de Nuno Cardoso, o socialista que, na altura, se sentava no cadeirão maior da Câmara do Porto. E, embora tenha sido contestada e, até, anulada, acabou por vingar.

Fontes: JN, Bing

Alveno Figueiredo e Silva

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