Entrevista a Pedro Carrilho DJ/Produtor/Formador

Pedro Gonçalo Cabral Nicolau Carrilho.

Nome artístico: Pedro Carrilho, 31 anos de idade, reside em Coimbra.

Licenciado em Engenharia Informática, e a sua vertente musical é house/tech-house/electro.
Iniciou a carreira musical com 22 anos de idade, no entanto desde há 7 anos que consegue viver financeiramente dos recursos que a música lhe dá.

Em conversa com Pedro Carrilho:

As melhores fontes de obtenção de rendimento?

Pedro Carrilho: Produção Musical, Direitos de Autor, actuações e trabalhos de estúdio para outros músicos / produtores.

Sou também Formador na Digipro Academy (Coimbra) nas áreas de Produção Áudio e Cursos Apple.

Melhores/mais conceituados trabalhos desenvolvidos ao nível de produção?

PC: Destaco alguns temas originais assinados pela Defected Records e pela Spinnin Records, duas das maiores editoras de house-music do Mundo. Há ainda algumas remisturas minhas que contaram com apoio de nomes “gigantes” como Fatboy Slim, Erick Morillo, Gregor Salto, Kaskade ou Carl Cox.

Quais os maiores palcos onde já actuou? Quais os sítios onde gostou mais de trabalhar?

PC: Há dois anos atrás actuei no The Egg, um dos mais emblemáticos clubes underground do Reino Unido…

o ambiente é incrível e muito diferente do que se vive na noite portuguesa. Destaque também para uma atuação em Espanha onde “enfrentei” mais de 10.000 pessoas.

Outros países igualmente interessantes foram Suécia, Marrocos, Luxemburgo ou Angola (por exemplo).

Rendimento Anual de um discojokey do seu nível?

PC: Aproximadamente €25.000.

Quantas Actuações tem por mês?

PC: Dependente da época do ano: em período de Verão a média serão 8 / 10 actuações por mês, no Inverno poderá passar a menos de metade.

A vida de um músico nem sempre é estável, o fluxo de rendimentos não é o mesmo todos os meses, nem todos os anos.

É preciso algum truque ou técnica de forma a conseguir que rendimento seja suficiente? Ou sempre obteve altos rendimentos de forma que nunca teve essa preocupação?

PC: A venda de música é manifestamente insuficiente, como tal há que compreender os riscos e procurar coleccionar rendimentos de outras fontes, conciliando-as com o que nos traz a nossa carreira.

Para além do cachet das actuações, aconselho os artistas a informarem-se sobre direitos de autor e publishing, porque há sempre algum dinheiro extra que conseguimos por essa via.

Considero igualmente importantes os trabalhos com (e para) outros músicos ou produtores, algo que faço com regularidade e contribui imenso para o rendimento anual.

As parcerias com algumas marcas são também uma ajuda essencial!

Não esquecer que uma percentagem do nosso income deverá reverter a favor da equipa de agenciamento que apoia o artista, que no meu caso é a Symphonik Records.

Já passou algum tipo de dificuldades devido a viver apenas da música, ou teve de arranjar outro trabalho para não desistir da vida musical?

PC: Sim, já vivi alguns períodos mais conturbados e sempre me valeu o facto de ser Formador na Digipro Academy.

Sem esse suporte, provavelmente teria desistido no momento em que me deparei com essas dificuldades.

Dê-me algumas sugestões, dicas ou truques para se conseguir viver financeiramente da música sem grandes sufocos.

PC: Como em qualquer negócio, na vida de um músico há períodos em que perdemos dinheiro e isso faz parte do percurso…

podemos procurar suporte junto de parceiros, sponsors, amigos ou até familiares dispostos a ajudar/investir.

Esse investimento deve ser proporcional ao esforço e expectativas do artista.

Com isso em mente, penso que todo o artista pode correr riscos, desde que nunca o faça sem um “Plano B”!

Adriano Ferreira

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