EPAL com águas contaminadas

A EPAL encontrou antibióticos, anti-inflamatórios e cafeína na água que abastece Lisboa mas as quantidades são residuais e estão longe de constituir um perigo para a saúde.

De todas as substâncias testadas, foram encontradas nove, das quais só cinco estão em concentrações possíveis de quantificar pelos métodos de análise existentes.

A responsável pelo laboratório da EPAL, Maria João Benoliel, olha para os resultados com alívio: “Estamos a falar de nanogramas por litro.

São quantidades muito pequenas, todas abaixo dos níveis encontrados, por exemplo, em França ou nos Estados Unidos, com excepção para a cafeína que está em valores semelhantes”.

Imagem: Google

Apesar da sua grande confiança na qualidade da água abastecida pela EPAL, pois a precaução é a palavra de ordem nesta empresa, Maria João Benoliel não ignora a presença destes compostos na água, dizendo que está descansada com os resultados mas que integraram na monotorização habitual, análises dos compostos detectados.

A única substância até hoje encontrada acima dos valores limite na água da EPAL foi o ferro, que não é prejudicial à saúde mas que é controlada devido aos efeitos na roupa lavada.

A análise da evolução da presença destes químicos na água vai permitir perceber alterações de concentração e cruzar dados com outro tipo de investigações científicas para perceber que papel podem ter estes resíduos de produtos que ficam na água no desenvolvimento de algumas doenças, como por exemplo, o aumento do cancro dos testículos e a diminuação da qualidade do esperma, que em alguns países está associado à poluição das águas potáveis.

Em Portugal, a EPAL fez análises para perceber em que níveis de concentração se encontravam os resíduos dos 31 fármacos mais vendidos.

As amostras foram recolhidas entre Dezembro de 2011 e Janeiro de 2012 e o objectivo era analisar até que ponto os antibióticos, anti-inflamatórios, anti-depresssivos e anti-convulsionantes que consumimos vão parar à água que é distribuída pela rede da empresa que abastece 2,9 milhões de habitantes em 34 concelhos da Grande Lisboa.

Mesmo que o problema não pareça grave, a EPAL leva sempre a sério os sinais de alerta.

Em todas as situações, a EPAL envia técnicos ao local para recolher amostras e testar a água, e no final, contactam os consumidores para os informar dos resultados das análises.

Fonte: SOL

Diogo Nery e Sofia Neves

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