Fechar os olhos à negligência

É frequente ler noticias sobre negligência, são muitas as crianças vitimas de negligência.

Alguns casos mais mediáticos chamaram a atenção da opinião pública para esta problemática.

Notícias do fim de semana dão conta de quatro crianças retiradas aos pais, os menores com idades entre os 5 meses e os 8 anos, seguiam no carro conduzido pela mãe que se encontrava alcoolizada.

A operação stop que ditou a entrega dos menores a uma instituição mostra um exemplo de pura negligência.

O caso torna-se ainda mais grave quando se percebe que o pai das crianças seguia num carro atrás e se encontrava também alcoolizado.

A negligência assusta por ser silenciosa, se não fosse aquela operação stop não sabemos como poderia ter acabado o caso, provavelmente chegariam ao destino e nunca ninguém iria saber o que se passou, tornando o mau hábito numa rotina, ou numa excepção.

Ou poderia ter-se tornado numa acidente e voltava a realçar-se a temática da negligência.

Ao que parece a familia já se encontrava sinalizada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Aveiro desde Julho, o que mostra que já existiam indicios de que algo não corria bem.

À semelhança do que acontece na violência doméstica, há uma dificuldade por parte de terceiros em denunciar casos, em denunciar pessoas, amigos, vizinhos, familiares.

Estes crimes são silenciosos porque há medo de falar, de “colocar a colher entre marido e mulher”.

Quando se lê ou ouve noticias que nos informam sobre casos em que os pais foram negligentes para com os filhos, quantos de nós não conhecemos casos em que algo simples se poderia ter tornado numa tragédia? É urgente que se acabe com esta mentalidade de “se olhar para o lado, passa”.

Não vai passar, as vidas de milhares de crianças estão nas mãos de todos nós, que temos o direito e o dever de denunciar casos de violência e negligência.

Fontes: Diário de Notícias, Correio da Manhã, Público

Liliane Lobo

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