França acusa Universidade Fernando Pessoa

A Universidade Fernando Pessoa abriu uma sucursal em França, mas as autoridades locais garantem que estão a ponderar acusar o estabelecimento por estar a fazer uma alegada “utilização abusiva”.

Além disto, as associações de estudantes acusam a universidade portuguesa de estar a contornar as regras de acesso ao ensino superior francês, onde este exige numerus clausus e provas específicas.

A universidade privada abriu em França a 12 de Novembro e a delegação está situada num edifício que estava vazio que pertencia ao centro hospitalar de La Garde, perto de Toulon, Sudeste de França.

Fotografia de Paulo Ricca

As formações que estão em causa são as da área da saúde como Medicina Dentária, Farmácia e Ortofonia.

As desta instituição são dadas em francês e esta já conta com cerca de 30 alunos que pagam por ano uma propina que ronda os 9500 euros.

Os diplomas dos cursos são passados pela Universidade Fernando Pessoa, com sede no Porto.

Segundo a agência noticiosa AFP, o problema desta Universidade é que o Ministério do Ensino Superior e da Investigação de França, entende que o estabelecimento não pode utilizar esta designação e pondera mesmo levar o assunto para a via judicial.

A AFP anuncia ainda que a porta-voz da Ministra Geneviève Fioraso, considera que não foram cumpridas todas as obrigações legais de declaração prévia da abertura.

A Federação das Associações Gerais de Estudantes de França (Fage), acusa o estabelecimento de estar a praticar preços que vão contra “o princípio da democratização do ensino superior” e denuncia o “contornar do processo francês de selecção” onde os estudos tem limite de vagas rígidas, especialmente na área da saúde.

A União Nacional de Estudantes de Cirurgia Dentária também já se manifestou contra a existência desta mesma sucursal, alega que a qualidade do ensino ministrado não está sequer assegurar.

“Certamente há boas universidades em Portugal, mas os nossos congéneres portugueses não escondem que a Universidade Fernando Pessoa não oferece um bom nível de ensino”, defendeu o vice-presidente da organização, Gauthier Dot ao Le Monde.

Fonte: Público

Cláudia Simões

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