II Fórum Franklin D. Roosevelt (diário)
Lusófona no II Fórum Franklin D.Roosevelt (com o neto do Presidente Roosevelt) Diário de quatro alunos de CCC que acompanham os trabalhos sobre as relações transatlânticas
Curtis Roosevelt visita os Açores
O neto mais velho do antigo presidente dos Estados Unidos da América, Franklin D.Roosevelt, visitou a ilha terceira para participar no II Fórum Açoriano Franklin D.Roosevelt.
Na conferência de abertura, Curtis Roosevelt, falou de como a política entrou muito cedo na sua vida e das memórias que tem do avô, incluindo histórias relacionadas com os Açores.
Franklin D.Roosevelt, em 1945, manifestou o interesse de realizar algumas conferências das Nações Unidas no Arquipélago dos Açores. O político achas que as ilhas tinham “um clima maravilhoso”.
Alunos visitam Base das Lajes
Os participantes do Fórum tiveram uma visita guiada à Base das Lajes onde tomaram conhecimento da dimensão estratégica deste local para os Estados Unidos da América.
A Base das Lajes, devido à sua posição geográfica, é um sítio importante para as forças militares americanas que ali fazem escala para reabastecer os aviões militares nas travessias transatlânticas.
Na Praia da Vitória as sessões continuaram, desta vez sobre o tema Europa e a política externa do presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama.
O embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, focou o impacto da administração Obama: “A genialidade do discurso de Obama, a sua capacidade de renovar algumas reservas de esperança que pareciam esgotadas nas gerações actuais, constitui um elemento interessantíssimo” em termos de diplomacia política e em termos da imagem de um país que rapidamente se projecta em todo o mundo.
Relativamente ao contexto da relação transatlântica, Seixas da Costa chamou à atenção para o que diz ser duas evidências: De que a Europa sem os Estados Unidos não tem qualquer hipótese de “na sua acção externa, poder impor internacionalmente a sua agenda ética de valores” sem o apoio norte-americano; e, para actuar à escala global, “necessita de instrumentos de natureza multilateral – leia-se, Nações Unidas, onde a boa vontade americana é essencial”.
O Embaixador concluiu: “A Europa está, goste ou não goste de assumi-lo, refém dos EUA na sua expressão no quadro global”.
Parafraseando Hubert Védrine, Seixas da Costa disse que “se a Europa olhava em tempos para os Estados Unidos como a ‘hiper-potência’, acho que Washington, de forma bem realista, olha para a União Europeia de hoje como uma verdadeira ‘hiper-impotência’.
De seguida o II Fórum Açoriano Franklin D.Roosevelt, debruçou-se sobre as potências emergentes (Brasil, China e Índia) na perspectiva da NATO.
Por fim discutiu-se o lugar das comunidades luso-descendentes nas relações entre Portugal e os Estados Unidos.
Na discussão destes temas estiveram algumas personalidades como Jair Rattner (correspondente do Estado de São Paulo em Lisboa) e Nélia Alves (investigador na Universidade de Massachussetts).
Inês Antunes
na Praia da Vitória, Terceira
Ministro da Defesa discursa no encerramento do Fórum Roosevelt
O Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, esteve presente na sessão de encerramento do II Fórum Franklin D. Roosevelt, em representação do Primeiro-Ministro, José Sócrates.
Santos Silva começou por falar da importância dos Açores para a defesa do espaço estratégico português e euro-atlântico.
O discurso focou ainda o papel de Portugal na NATO, bem como as relações que o nosso país pode abrir entre o Atlântico Sul (principalmente o Brasil) e a Europa.
O Ministro da Defesa acrescentou que “saber dialogar com o sul é uma capacidade que Portugal pode oferecer”.
Santos Silva falou ainda da NATO e disse que esta deve ser “um agente de estabilização e de segurança”.
A dimensão científica da relação transatlântica que os Açores possibilitam entre Portugal e os Estados Unidos da América foi um dos focos da manhã do último dia do Fórum Roosevelt.
Na conferência participaram, entre outros, António Câmara (Presidente da YDreams) e Paulo Ferrão (Director do programa MIT-Portugal), que falaram sobre a necessidade de investimento na tecnologia e no desenvolvimento tecnológico a nível nacional e assumiram que os Estados Unidos têm um papel importante nesse sentido.
Ao mesmo tempo, realizou-se um seminário paralelo sobre as perspectivas para o Africom, com a presença do Coronel Carlos Coutinho, do Instituto de Defesa Nacional.
Houve ainda lugar para uma discussão sobre as expectativas dos Estados Unidos das relações transatlânticas, que contou com a intervenção de David Ballard, Chargé d’Affaires da Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa.
Da parte da tarde, Ricardo Barros, Presidente da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, e Álvaro Monjardino, antigo Ministro da República e antigo Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, discursaram sobre a história e os aspectos culturais dos Açores, influenciados pelo do seu posicionamento geográfico.
Álvaro Monjardim criticou a forma como os Açores distribuem as verbas da União Europeia e a forma como os Açorianos as usam.
Disse ainda que a emigração dos jovens é difícil de evitar e que o desejo dos mesmos de emigrar é crescente, principalmente para os Estados Unidos.
A população dos Açores está assim cada vez mais envelhecida e, segundo Álvaro Monjardim, pouco está a ser feito para incentivar a natalidade e para fixar os jovens açorianos no arquipélago.
Luís Carvalho e Inês Antunes
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