Vik Muniz em Lisboa

A exposição fotográfica de Vik Muniz está disponível, no Museu Coleção Berardo, no CCB, até ao último dia do ano. É a combinação de uma centena de imagens surpreendentes. Que nos são familiares, embora igualmente nos pareçam estranhas.

Quando se observa cada imagem, no momento inicial, o que se vê é tão só uma fotografia. Depois, para além desta, advinha-se o pensamento filosófico de VIK, pela afeição sensorial e incessante que dispensou a cada imagem, sempre de duplo sentido.

O fotógrafo, que inicialmente fora escultor, elabora as suas obras a partir de materiais pouco convencionais. Dos mais dissemelhantes e invulgares, como xarope de açúcar ou calda de chocolate. Como papel recortado ou brinquedos de plástico. Como simples terra ou algodão. Como grandes quantidades de lixo ou de sucata. Como pasta de amendoim ou caviar. Como açúcar ou o singelo arame. Estas obras são depois fotografadas, e de seguida desmontadas, muitas vezes para aproveitar o material para uma próxima experiência.

Algumas vezes VIK relaciona alguns dos materiais utilizados a clássicos da história de arte. Está nesta situação a “Mona Lisa”, de “da Vinci”. É uma réplica dupla: uma feita com gelatina e outra com pasta de amendoim.

Poeira? Será possível ter outro qualquer significado? Vik Muniz teve o talento de olhar para estas coisas, simples e quotidianas e, com elas, recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo.

Se pudéssemos resumir a exposição de VIK, fazíamo-lo em três pontos essenciais: EFÉMERO, OUSADIA e CRIATIVIDADE.

Efémero, porque a obra apresentada resulta de trabalhos que logo que fotografados são imediatamente descompostos: pelo artista ou por força da natureza, como no caso do fumo dos aviões, por exemplo.

Ousadia, primeiro, porque a obra transporta em si uma crítica social ao consumismo e desperdício; Segundo, porque valoriza mais a fotografia do que a montagem que lhe deu vida. Para VIK o que é primoroso, trabalhoso, não passa de uma passagem para o que realmente é artístico e importante: a fotografia.

Finalmente, Criatividade, por o artista ter o talento, ou a ousadia, de recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo com aquelas coisas simples e banais com que nos cruzamos diariamente e a que não damos grande importância.

A exposição está organizada por coleções, o que a torna mais compreensível. Foi a minha “volta de domingo” de hoje. E gostei.

Quem tiver oportunidade, é de não perder. Até porque a entrada é “de borla”.

Terminamos, divulgando alguns dados de Vik Muniz, que nasceu em 1961, em São Paulo, e atualmente está a viver e a trabalhar em Nova Iorque.

Tem desempenhando inúmeros papéis, como os de pintor, escultor, designer, fotógrafo, escritor, criador, ilusionista e crítico.

Depois de passar pelos Estados Unidos da América, Canadá, México e Brasil, VIK chegou a Lisboa num momento em que o artista atinge o cume do seu reconhecimento, tornando-se um dos artistas brasileiros mais consagrados internacionalmente.

Hernâni de Lemos Figueiredo (aluno de CCC – Gestão da Cultura e das Artes)

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