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Ricardo Leirião – A Bela e o Monstro

História original de Gabrielle-Suzanne Barbot, dama de Villeneuve, e escrita em 1740.

Nesta narrativa, um belo e arrogante príncipe nega guarida a uma velha senhora, que se revela uma bela bruxa e o enfeitiça, a ele e ao castelo onde vive. O príncipe é agora um monstro vil e frio. Após vários anos, aquando da entrada de Bela, uma bonita e alegre jovem mulher, no seu castelo, o monstro vil encontrou o amor.

Recensão a Arca Russa, de Sokurov

Recensão pelos alunos de CCC
«A Arca Russa», de Alexander Sokurov

Sinopse

Em 2002, o realizador russo Alexander Sokurov filmou no interior do Palácio de Inverno (actualmente o edifício principal do Museu Hermitage), em São Petersburgo, uma viagem de hora meia através da História da Rússia, num minucioso plano sequência único, encenado como se de uma peça de teatro se tratasse.

O filme passa por 33 salas do museu e os 96 minutos filmados convocam 300 anos de figuras e acontecimentos da cidade, representados por mais de dois mil actores e figurantes, e três orquestras – incluindo a Mariinsky Theatre Orchestra e a State Hermitage Orchestra.

A esplendorosa obra de Sokurov, objecto de elogios rasgados por parte da crítica, é exibida no dia 7, primeira de uma sessão dupla no Grande Auditório da Gulbenkian.

O excesso de nós

Imagem: quadro Beata Beatrix, de Dante Gabriel Rossetti, cujo pormenor é reproduzido na capa do livro.

Necrophilia
Livro
Jaime Rocha
Autor
Relógio d’Água, 2010
Editor

Necrophilia, o quarto livro da tetralogia a que Jaime Rocha chamou «da assombração» é uma obra que situa o leitor (que sou) num lugar do moderno habitado pela noção do fantasma.

Entende-se aqui fantasma a figura que ocupa o lugar de um outro que se deseja, uma realização impossível.

É então o desejo de um para o outro que constrói o fantasma, noção que Lacan aplica noutros contextos mas que neste livro se reúne ao desejo de um pela amante que deixou de existir.

Embora Jaime Rocha não nos informe de onde arranca este título e a personagem cujo peito foi preenchido por um vazio, o livro tem na sua capa pormenor do retrato Beata Beatrix (que remete para a Beatrice, de Dante Alighieri) e o nome Beatrix em topo de página (em dedicatória), depois de prefácio de João Barrento e citação de Edgar Allan Poe.

Esta beata Beatriz é a poetisa Elizabeth Siddal (1829-1862), Lizzie ou Sid, musa de pré-rafaelistas e mulher de Dante Gabriel Rossetti, encontrada morta pelo pintor com uma overdose de láudano.

A dor de Dante foi tão intensa que o levou a escrever alguns poemas que colocou junto ao corpo da amante. Do corpo exumado, sete anos depois, foram resgatados esses versos que deram origem ao livro The House of Life (1881).

Jaime Rocha parte assim da constituição desse fantasma, mas que se percebe não ser a mesma história de amantes, para escrever Necrophilia, citando a ideia de Poe de que não haveria melhor tema para uma poética do que a morte da amante colocada nos lábios do amante.

A constituição desse fantasma pelo «desejo negro» é, nestes poemas, a construção de um homem e uma mulher num impossível encontro pelo mundo:

O Século, na Crise do Ultimato (1890-1891)

Ricardo José Gouveia
Autor
Universidade Católica Editora
Editora
2010
Ano

«A 5 de Outubro de 1910 assinalou-se em Portugal o fim da Monarquia, sendo a subida ao poder dos republicanos o culminar de décadas de luta política. Para melhor compreender este evento é necessário recuar até ao dia 11 de Janeiro de 1890, data do anúncio do ultimato inglês.[…]

Em “O Século na crise do ultimato (1890-1891)” é exposto o papel desempenhado pela imprensa no processo que levou à quase derrocada da monarquia nas ruas do Porto, através do estudo do jornal «O Século», num exercício envolvendo análise jornalística, história da imprensa e ciências da comunicação».

Este livro de Ricardo José Gouveia resulta de uma tese de mestrado apresentada pelo autor na Universidade Católica Portuguesa.

AOS OLHOS DE UM DEUS DISTANTE

Relógio d’Água Editores, 2009

Sou culpado. Somos todos culpados. Tudo o que fazemos chama-se morte: um gesto, uma palavra, uma casa.

A Viagem, que é o nome do primeiro capítulo deste livro de Rui Nunes, começa como um sopro e uma luz entre arbustos num deserto e acaba no mar. Thalassa. Thalassa., com que termina o livro é a palavra contida no grito dos heróis conduzidos pelo jovem Xenofonte entre Cunaxa e o Ponto Euxino quando avistaram o Mar Negro.

Depois de uma longa travessia, fugidos da guerra, a visão do mar confirmou o regresso àquele elemento que eles tão bem conheciam: naquele líquido estava a liberdade e o cheiro da pátria.

É de libertações que trata este livro: da memória do crime (no caso de Andreas, o médico soldado, que se arrasta pelas ruas como um indigente), a memória de um paixão que se transformou em ódio (no caso de Greta que vive agora um lar de idosos, em silêncio com o mundo).